1 de nov de 2008

Um Cavalo de Fruta Pão


O apóstolo Paulo em I Tessalonicenses 4:13 nos diz que, mesmo frente a morte de ente queridos, não nos entristecemos como os demais, que não têm esperança. A saudade que sentimos é alentada pela certeza das coisas que se esperam (Heb. 11:1) e da nossa reunião final nos ares (I Tess. 4:17) na presença eterna e constante uns dos outros e, sobretudo, do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Particularmente, eu me julgava muito próximo a Vovô. Não era à toa que meu desejo na infância era seguir os seus passos como Pastor e Médico. Evidentemente o Deus que dirige a história, me transformou em advogado – bem longe do projeto inicial; e apenas depois de vários anos, pela sua soberania e governo sobre todas as coisas, me chamou para o Ministério Sagrado.

Era semanal a minha ida ao Caiara para a companhia do casal Israel e Lúcia e não foram poucas as lições aprendidas mesmo em meio a brincadeiras inesquecíveis. Vovô nos ensinava ao engessar nossos braços, ao construir casinhas nas árvores, e, mesmo depois de velho, nas conversas no seu ‘escritório’ – a rede no terraço da casa – de onde muito aprendemos sobre a Palavra de Deus. Ele viveu o preceito da lei em Deuteronômio 6 ao inculcar a Palavra nas mentes dos que o cercavam com carinho e determinação dignas de um homem de Deus.

Mas uma cena especial jamais me sai da memória. Era da idade do meu filho (cerca de 3 anos) e havia ganhado um cavalinho plástico do tio Selva, que durou na minha mão apenas o tempo de Bano (meu irmão 4 anos mais velho) chegar e resolver que queria o brinquedo para ele.

O choro foi compulsivo e dramático, vovô se aproximou para saber do que se tratava (acredito que já sabia pela atitude que tomou). Aos soluços e interrupções pelas lágrimas escandalosas, tentei lhe dizer qual era o motivo de tamanha inquietação e angústia. A essa altura, já assentado perto do escorrego, Vovô tinha um fruta-pão na mão sendo transformado no cavalinho mais bonito e significativo que já recebi, apenas com alguns gravetos do chão virando patas e crina.

Aprendi depois de adulto, ao relembrar esse fato, o valor inestimável de gestos de ternura e simplicidade. Bano deve ter levado lições preciosas também, pois hoje ele tem me devolvido com juros o cavalinho de então.

Minha esperança é que nas lembranças que temos de Vovô, nós possamos ter sempre em mente que a glória pertence apenas a Cristo: Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas, a glória, pois, a ele, eternamente. Amém (Romanos 11:36)!

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