1 de nov de 2008

1) Pais amorosos

Sem dúvida alguma Jesus Cristo é, também o exemplo máximo de amor a ser seguido. Ele nos amou de forma completa e nos possibilitou um novo relacionamento com Deus nos enviando o Espírito do Filho, pelo qual clamamos Abba, Pai (Gálatas 4:6)!

Deus demonstra a nós, pais, a maneira pela qual nós devemos amar nossos filhos. Paulo assim acerta em Efésios 6:4: E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.

O não provocar os filhos à ira, significa que eles devem ser criados na disciplina. Certamente esse é mais um conceito que vai de encontro ao senso comum. A psicologia moderna ensina que os pais não devem bater no filho, pois este poderia levar consigo algum trauma para o restante de sua vida. Mas o contrário é o verdadeiro. O que os números têm mostrado é que a sabedoria Bíblica alcança muito melhor resultado que a tentativa estulta de estabelecer parâmetros de criação de filhos fora das linhas da Palavra.

O argumento mundano é que os filhos podem crescer rebeldes frente a pais que usem a vara como inibidor de suas atitudes, mas o que na verdade está por trás do ensino dos educadores, é a falta de coragem de tomar atitudes que beneficiam os próprios filhos e certa dose de amor próprio; pois qual é o pai que gosta de disciplinar o filho? Não, mas apesar de que toda disciplina no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que tem sido por ela exercitados, fruto de justiça (Hebreus 12:11), por isso que o mesmo texto diz que o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. Que filho há que o pai não corrige? Assim, se estais sem correção, sois bastardos e não filhos (Hebreus 12:6-8, Cf. Provérbios 3:11,12 e Jó 5:17). Salomão diz muito mais acerca disso, mas há uma declaração que deve ser muito bem entendida pelos pais da aliança para a compreensão do seu significado para a eternidade em Provérbios 23:12-14:

Aplica o coração ao ensino e dá ouvidos às palavras do conhecimento. Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno.

Quanto mais amarmos aos nossos filhos, vamos compreender que não devemos deixar de corrigi-los, igualmente, quanto mais amor próprio desenvolvermos, vamos odiá-los desenvolvendo teorias anti-Bíblicas que a disciplina é coisa grotesca e ultrapassada.

Evidentemente não podemos confundir disciplina com espancamento e ira (Provérbios 19:18 – Castiga a teu filho enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de mata-lo), mas o nosso coração deve fazê-lo com muito amor e ensino, mas sem deixar de castigar enquanto há esperança.

Há exaustivo material na Escritura para ensinarmos os nossos filhos com a vara e a disciplina correta. Aqui vão alguns textos no livro dos Provérbios de Salomão: 12:1; 13:24; 15:5, 32; 27:5, 29:15, 17 além dos outros citados nesse artigo.

Mas o ensino é parte essencial na vida do crente, até mesmo para que a disciplina seja cada vez menos necessária. Somos instados a ensinar nossos filhos os caminhos do Senhor. Na Igreja Presbiteriana do Brasil nós batizamos nossos filhos na infância como selo que eles fazem parte da Aliança de Deus.

O batismo[1] não salva a criança, mas os pais demonstram a sua fé diante de Deus e dos homens de que vão ensinar os seus filhos a cada dia, para que, de futuro, eles venham na idade da razão e professem publicamente a sua fé, confirmando a aliança de Deus. (Cf. Provérbios 20:11 – Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações, se o que faz é puro e reto).

A discrepância entre o pensamento pagão e o bíblico pode ser visto no mais festejado conceito de educação nos dias de hoje, onde Piaget[2] lançou a idéia que tem sido difundida e defendida por vários adeptos no mundo, como o exemplo que segue:
"Construtivismo significa isto: a idéia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento.
Entendemos que construtivismo na Educação poderá ser a forma teórica ampla que reúna as várias tendências atuais do pensamento educacional. Tendências que têm em comum a insatisfação com um sistema educacional que teima (ideologia) em continuar essa forma particular de transmissão que é a Escola, que consiste em fazer repetir, recitar, aprender, ensinar o que já está pronto, em vez de fazer agir, operar, criar, construir a partir da realidade vivida por alunos e professores, isto é, pela sociedade – a próxima e, aos poucos, as distantes. A Educação deve ser um processo de construção de conhecimento ao qual ocorrem, em condição de complementaridade, por um lado, os alunos e professores e, por outro, os problemas sociais atuais e o conhecimento já construído (‘acervo cultural da Humanidade’).
Construtivismo, segundo pensamos, é esta forma de conceber o conhecimento: sua gênese e seu desenvolvimento – e, por conseqüência, um novo modo de ver o universo, a vida e o mundo das relações sociais”.[3]
Essa idéia, mesmo que muito bela aos olhos dos educadores, se constitui num perigo de expor nossos filhos aos seus próprios raciocínios, e a crítica feita de fazer repetir, recitar, aprender, ensinar o que já está pronto é, na verdade o contrário do que nos ensina a Escritura que nos manda fazer repetir, recitar, aprender, ensinar exatamente o que já está pronto! Nesse ponto, como em tantos outros na nossa vida, precisamos aprender a estar mais dispostos a obedecer a Escritura e descansar que ela sempre está certa mesmo em detrimentos dos pensamentos lógicos de homens inteligentes, mas ímpios – Sola Scriptura é o caminho mais seguro na educação dos nossos filhos também.

Não apenas Salomão ensinou isso nos seus escritos, mas quando a Lei estava sendo repetida por Moisés, ele fez questão de incluir as seguintes palavras em Deuteronômio 6:5-9:

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos; e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.

A diferença de conceitos é gritante, mas nós precisamos abrir mão da lógica humana, do curso deste mundo, e nos submeter ao catecismo à moda antiga, pois é mais seguro andar de acordo com a Palavra de Deus do que seguir a engenhosidade humana (Romanos 3:4).

A criação de filhos, segundo a Palavra de Deus, é aquela não provoca a criança à ira. Como vemos filhos indignados pela liberalidade de seus pais em detrimento de lhes ensinarem a verdade, oferecer-lhes limites, mas quando essas coisas lhes são negadas, aí, sim, se tornam rebeldes e de comportamentos indesejáveis, mas isso é exatamente fruto do que eles construíram de suas próprias mentes.

Por isso o remédio da Bíblia para que os pais não provoquem os filhos à ira é que eles sejam criados na disciplina e na admoestação do Senhor (Efésios 5:4); mas para isso os pais precisam ter coragem de irem contra o que o senso comum lhes apresenta, e isso é bíblico e desejável por Deus (Romanos 12:2).

O livro Pastoreando o Coração da Criança, de Tedd Tripp é altamente recomendado aos pais para ensinar-lhes alguns preceitos preciosos, especialmente como a disciplina e o amor andam juntos, portanto deve ser aplicada sem ira. Afinal de contas a ira do homem não produz a justiça de Deus (Tiago 1:20).

Apenas a guisa de citação sobre o assunto da correção dos filhos, eis alguns excelentes preceitos ensinados por Bruce Ray:

“Amamos os filhos que Deus pôs sob nossos cuidados? Queremos ver nossos filhos lançados no inferno, ou queremos vê-los salvos da ira de Deus? Se nós os amamos e queremos que eles sejam poupados, Deus diz que devemos discipliná-los. A correção é evidência do amor... A vara precisa ser usada dentro de um contexto de amor, na proporção da seriedade das faltas... Quando corrigimos além do necessário, nossos filhos perdem a esperança (uma profunda forma de desânimo – Col. 3:21). Começam a pensar que estamos sempre ralhando com eles e que não conseguem agradar. Portanto, use de extrema cautela e cuidado: não queremos empurrá-los para fora da estrada!”[4]
[1] Na doutrina da IPB o Batismo é a continuação da Circuncisão do VT que era aplicado nos infantes, por isso devemos observar da mesma forma esse Sacramento (Confissão de Fé de Westminster, XXVIII).
[2] Jean Piaget, em sua teoria chamada de Epistemologia Genética ou Teoria Psicogenética tenta explicar como o indivíduo, desde o seu nascimento, constrói o conhecimento.
[3] Fernando Becker, Série idéias nº 20. São Paulo. FDE, 1994.
[4] Ray, Bruce A., Não Deixe de Corrigir Seus Filhos. Fiel, 5ª Edição. São Paulo, 2001. Páginas 56, 78.

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