1 de nov de 2008

2) Filhos Obedientes

A conseqüência lógica que resulta de pais que assumem os seus papeis bíblicos e que amam seus filhos ao ponto de lhes ensinar (inculcar) o caminho do Senhor, é que eles jamais se desviarão dele (Provérbios 22:6).

O Quinto Mandamento é uma declaração muito direta aos filhos dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá (Êxodo 20:12 e Deuteronômio 5:16).

O Apóstolo Paulo lembra que é o primeiro mandamento com promessa (Efésios 6:2,3) para que te vá bem e sejas de longa vida sobre a terra. Esse conceito é interessante, pois mostra uma verdade absolutamente provável (Cf. Provérbios 3:1,2 e 4:10), que se o filho cumprir o mandamento – Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isso é justo (Efésios 6:1) – ele não deve ir por caminhos que lhe coloque em situações vexatórias ou perigosas.

O argumento é que se os filhos obedecerem verdadeiramente a seus pais, a sua própria vida e integridade será preservada; mas o argumento teológico dessas palavras é mais profundo, pois a palavra terra tem o sentido de terra prometida, por isso o mandamento diz que o Senhor teu Deus, te dá.

Levando em consideração o sentido tipológico[1] dessa terra, na Nova Aliança temos a promessa sendo uma referência ao céu, onde estaremos para todo sempre (Salmo 23: 6) na casa do Senhor.

Portanto, à medida que nós, pais, amarmos os nossos filhos a ponto de disciplina-los com a vara que consola (Salmo 23:4), estaremos guiando eles aos pastos verdejantes (v. 2), uma outra referência ao céu, e aprenderemos a nessa vida, suportar com muita longanimidade o vale da sombra da morte, sem temer mal algum (v.4 cf. Tiago 1:2).

Com esses ensinamentos, os filhos serão obedientes e darão motivos de alegria aos seus pais (Provérbios 1:8,9; 4:3; 10:1; 15:20; 17:21,25; 19:13, 26; 20:20; 23:22; 28:7; 29:3; 30:11, 17), sem eles, outrossim, como os mesmos textos afirmam, eles serão desobedientes e se tornarão motivo de vergonha e tristeza.

Percebam como aquele que está sendo preparado para criar filhos, precisa saber que boa parte do resultado, depende de como os pais aplicam os preceitos bíblicos na vida dos filhos. Não queremos com isso diminuir a Soberania de Deus e a sua Providência[2], mas, sim, exaltar a responsabilidade dos pais para com os filhos em exercer os meios determinados pelo próprio Criador para que os filhos da Aliança sigam nos trilhos da Escritura.
[1] Tipologia é um termo teológico que explica como muitas coisas do Antigo Testamento existiram apontando para uma realidade superior no Novo Testamento (ver Hebreus 10:1 – a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas). Alguns exemplos apenas para elucidar: A terra prometida, que é o caso em discussão nesse artigo, apontava para a cidade que Deus é o arquiteto e edificador (Hebreus 11:9-10, 13-16) – por isso hoje a terra de Israel é apenas um pedaço de chão no mundo e nada mais; Os sacrifícios nos cultos da Antiga Aliança apontavam para o sacrifício perfeito de Jesus na cruz (Hebreus 9:11-14, 22-28) – por isso não mais oferecemos sacrifício e o culto na Nova aliança é simples. Há vários outros exemplos que poderiam ser dados, mas esses já servem para o nosso objetivo nesse artigo que é mostrar como as promessas feitas no quinto mandamento têm cumprimento na eternidade, com esse pensamento, os filhos que honram e obedecem aos pais de forma perfeita e plena dão prova que são filhos de Deus e herdarão a promessa de longa vida (eternidade) sobre a terra (Nova Jerusalém).
[2] A doutrina da Soberania de Deus ensina que nada foge do controle de Deus, nem mesmo as coisas mínimas que acontecem na nossa vida, como fruto de sua Providência (outra doutrina ensinada na Confissão de Fé de Westmisnter, Capítulos III e V).

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